Para instalar DR com DPS no quadro, o DR entra como proteção dos circuitos contra choque e o DPS é ligado em derivação ao barramento de terra para desviar surtos, cada um com seu disjuntor de proteção e na ordem prevista no projeto. É um serviço de eletricista: exige quadro desenergizado, escolha correta de classe e condutores e terra em bom estado. Entender como o conjunto funciona ajuda você a conferir se o serviço foi bem feito.
Para que serve cada dispositivo
O DR (diferencial residual) compara a corrente que vai com a que volta pelo circuito. Se há diferença, parte da corrente está escapando pelo corpo de alguém ou pela carcaça de um aparelho. Ele desliga em fração de segundo. Os modelos residenciais costumam ter sensibilidade de 30 mA. O DR não protege contra surtos nem contra sobrecarga.
O DPS (dispositivo de proteção contra surtos) fica "parado" até que uma sobretensão aparece, como a causada por descarga atmosférica próxima ou manobra na rede. Nesse instante ele conduz o excesso para o terra e limita a tensão que chega aos aparelhos. Depois volta ao estado normal.
Por isso os dois aparecem juntos em quadros bem feitos: o DR protege pessoas e o DPS protege equipamentos. Um não faz o trabalho do outro.
Esquema bifásico, em linhas gerais
No bifásico residencial você tem duas fases e o neutro, com 220 V entre fases. O esquema abaixo é uma descrição de como o eletricista organiza o quadro, não um passo a passo para o leitor executar.
Entrada (2 fases + neutro)
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Disjuntor geral bipolar
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+----> Disjuntor de proteção do DPS ---> DPS (fase 1, fase 2, neutro) ---> barramento de terra
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IDR bipolar (circuitos protegidos)
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Disjuntores dos circuitos
Alguns pontos que variam de projeto para projeto:
- A posição do DPS (antes ou depois do IDR) depende do esquema adotado e do tipo de DR. DRs sensíveis a surtos pedem atenção especial; o eletricista segue o projeto e o manual do fabricante.
- O IDR bipolar abrange as duas fases do circuito. Se a casa tem muitos circuitos, é comum dividir em mais de um DR.
- O DPS tem um conjunto de varistores ou centelhadores por polo, e cada fase precisa estar coberta.
- O neutro não pode passar pelo barramento de terra depois do DR, nem ser misturado com ele nos circuitos protegidos. Neutro cruzado é uma causa comum de DR que desarma sem motivo aparente.
Classe I ou classe II: qual o DPS do seu imóvel
| Classe do DPS | Onde costuma ser usado | Situação típica |
|---|---|---|
| Classe I | Entrada da instalação | Imóvel com para-raios (SPDA) ou alimentação aérea muito exposta |
| Classe II | Quadros de distribuição | Casas e apartamentos urbanos, é o tipo usado em quadro residencial |
| Classe I+II (combinado) | Entrada com espaço limitado | Quando o quadro único faz as duas funções |
| Classe III | Junto ao equipamento | Complemento para aparelho sensível, não substitui o do quadro |
Em casa urbana, com rede subterrânea ou sem para-raios, o DPS classe II no quadro costuma atender. Em casa isolada, rural ou com SPDA, o projeto pode pedir classe I na entrada. O eletricista também considera a tensão máxima de operação do DPS em relação à sua rede (127/220 V) e a corrente de descarga indicada para a região.
Bitola do terra e comprimento dos cabos
O condutor que liga o DPS ao barramento de terra precisa ser grosso e curto. Valores usuais:
- DPS classe II: condutor de terra de pelo menos 4 mm², em cobre.
- DPS classe I: condutor mais grosso, na faixa de 16 mm².
- Cabos o mais curtos possível (a referência usual é não passar de cerca de 0,5 m no total da ligação do DPS), sem laços e sem curvas fechadas. Cabo longo adiciona impedância e deixa passar tensão maior ao aparelho.
O projeto e o fabricante definem o valor final. O eletricista também escolhe o disjuntor de proteção do DPS conforme a corrente máxima indicada no manual do modelo.
O papel do aterramento
O DPS só funciona se houver terra confiável. Sem ele, o surto não tem caminho e a proteção fica no papel. Antes de instalar, o eletricista confere se existe condutor de terra no quadro, se o barramento está ligado à haste ou malha e se a resistência de aterramento é adequada. Essa medição é feita com instrumento próprio, por profissional.
Sinais que você pode observar sem tocar em nada: tomadas de dois pinos na casa toda, quadro sem barramento de terra e ausência de qualquer haste visível. Nesses casos, o aterramento precisa ser feito primeiro.
Verificações que você pode fazer depois da instalação
- O DPS tem janela ou indicador de estado (em muitos modelos, verde = em operação e vermelho = trocar; veja no manual). Olhe de vez em quando.
- O botão de teste do DR deve fazer o dispositivo desarmar. Pressione na frequência que o manual indica.
- Disjuntores e dispositivos devem estar identificados no quadro.
- Peça a nota ou o registro do serviço.
Se o indicador do DPS mudou de cor depois de uma tempestade, ele cumpriu sua função e precisa ser substituído, pois não protege mais.
O que o eletricista faz na instalação
- Desliga o disjuntor geral e garante que o quadro está sem tensão antes de abrir.
- Verifica o estado do aterramento e do barramento de terra.
- Escolhe a classe e o modelo do DPS e o disjuntor de proteção.
- Instala o IDR e o DPS no esquema bifásico do quadro.
- Faz as conexões com o aperto indicado e identifica cada condutor.
- Religa e testa o botão do DR.
Erros frequentes na montagem do conjunto
Alguns problemas aparecem com frequência quando DR e DPS são instalados sem cuidado:
- Neutro compartilhado entre circuitos protegidos por DR diferentes. O DR enxerga a corrente de ida e de volta, e se o neutro de um circuito volta por outro DR, ele desarma sem motivo.
- Terra ligado ao neutro depois do DR. Cria fuga artificial, e o DR cai ou fica sem função.
- DPS sem disjuntor de proteção. Quando o DPS chega ao fim da vida, ele pode entrar em curto, e o disjuntor dedicado evita que isso se torne um problema para o quadro todo.
- Cabos do DPS longos e dobrados. Cada centímetro a mais reduz a proteção real.
- DPS com tensão máxima de operação (Uc) errada para a rede. Esse valor precisa estar acima da tensão da sua rede, para o DPS não ficar conduzindo à toa.
- Quadro sem identificação. Depois de um tempo ninguém sabe qual DR cobre qual circuito.
Para o morador, o resultado prático é simples: se o DR desarma sem explicação depois de uma obra no quadro, o primeiro suspeito é neutro cruzado ou terra misturado com neutro, e quem corrige é o eletricista.
Manutenção depois de instalado
O DR deve ser testado pelo botão de teste com a frequência que o fabricante indica. O DPS não tem botão: o que existe é o indicador de estado. Depois de tempestades fortes, vale olhar o indicador. Em quadros com DPS que têm contato de sinalização remota, o eletricista pode ligar um aviso, mas no residencial comum a verificação é visual.
Quando chamar um eletricista
Chame antes de comprar o DPS se a casa não tem aterramento confiável, se o DR desarma sozinho, ou se há aparelhos queimando em dias de tempestade. O eletricista mede o terra antes de instalar qualquer coisa, porque DPS sem aterramento bom não funciona.
Na visita, pergunte qual classe de DPS ele recomenda para o seu tipo de imóvel e por quê, qual a bitola do condutor de terra que será usada e como o IDR e o DPS ficarão organizados no seu quadro. Peça o esquema por escrito, para facilitar a manutenção futura.